Esta entrada también está disponible en:
- 1 Pick-up no passeio Big Ice Perito Moreno
- 2 Visita às passarelas do Perito Moreno
- 3 Caminho até o Porto Bajo de las Sombras
- 4 Navegação pelo Lago Rico
- 5 Caminhada pela morrena da geleira
- 6 Aprendendo a caminhar no gelo com crampons
- 7 Hora do almoço no Perito Moreno
- 8 Big Ice Perito Moreno, a caminhada sobre o gelo
- 9 Retorno de barco e fim do passeio
Olá, aqui é o Javier na área! Estou viajando pela Argentina, país do tango e do churrasco, mas também de paisagens espetaculares e geleiras. Outro dia aproveitei para fazer o trekking Big Ice no Perito Moreno, e hoje vim compartilhar meu diário de viagem, minha review, para que você tenha uma ideia do que é viver essa aventura.
Há um tempo, contei sobre minha experiência fazendo o Minitrekking, e gostei tanto que não queria deixar de fazer a versão mais longa. Além disso, agora existe o Minitrekking 2 — será que vou ter que voltar? Já te adianto que foi incrível. Vamos nessa!
Pick-up no passeio Big Ice Perito Moreno
Às 6h45 o transfer nos busca bem perto da hospedagem para fazer o tour Big Ice. Acordamos super cedo, mas aqui o sol sempre é o primeiro a aparecer. Vamos recolhendo mais gente em diferentes pontos até que, finalmente, pegamos estrada rumo ao parque. Durante todo esse trajeto, a guia foi nos contando vários fatos sobre o Parque Nacional Los Glaciares e a geleira Perito Moreno, misturando perfeitamente espanhol e inglês.
Às 8h chegamos a uma das entradas oficiais. Para facilitar a compra dos ingressos, uma funcionária sobe no ônibus, entregamos o valor em dinheiro e ela anota nossa nacionalidade (os estrangeiros pagam quatro vezes mais). Se preferir, também dá pra pagar com cartão, mas aí é preciso descer do ônibus e se perde um pouco de tempo.
💡 Dica: leve dinheiro em espécie.
Depois dos trâmites, nos entregam os ingressos na mão. Lembre-se de verificar direitinho o tipo de ingresso que você precisa antes de comprar, pois existem diferentes opções — por exemplo, naquela época havia desconto para o segundo dia de visita.
Visita às passarelas do Perito Moreno
Por volta das 8h30 chega a primeira parada: as passarelas do Perito Moreno. Parece que vamos ter sorte — só há três carros no estacionamento. O restaurante e a loja de lembranças ainda estão fechados, mas, por sorte, os banheiros já estão abertos.
O silêncio se torna um presente ao descer até os primeiros mirantes. O canto dos pássaros e o estalo da geleira me arrepiam.

Tempo livre pelas passarelas
Durante essa primeira hora da manhã que temos de tempo livre nas passarelas, aproveitamos os mirantes principais, sentados e bem agasalhados, já que o vento está sempre presente, gravando na memória esses instantes. Um estalo constante em uma área chama nossa atenção — algo está acontecendo. E, de repente, aquele estrondo com um eco poderoso nos paralisa. Um enorme bloco de gelo se desprende da parede da geleira diante dos nossos olhos. Já tinha ouvido falar sobre isso, e até uma colega escreveu sobre o desprendimento do Perito Moreno, mas ao ver com os próprios olhos… é impossível conter a emoção. Fiquei sem palavras.
Caminho até o Porto Bajo de las Sombras
Chega a hora de subir a escadaria, pois o ônibus nos espera — o dia já começou com tudo. A próxima parada é no Porto Bajo de las Sombras. Lá nos espera o barco que vai nos levar pela face sul (pelo Brazo Rico).
Durante todo o trajeto, desde a saída de El Calafate, nossa guia Guadalupe nos mostra a flora e fauna do lugar. Também nos apresenta os inícios da geleira em diferentes mapas para que possamos visualizar o percurso que faremos, e fala sobre a extensão da geleira Perito Moreno. Não é a maior do parque, mas é a mais conhecida por sua acessibilidade.
Ao chegar no porto, encontramos vários viajantes que reservaram o tour sem traslado e embarcamos juntos.
Às 10h estamos cruzando o lago. Do outro lado nos esperam nossos guias de montanha: Nicolás e Fernanda. Ao chegar, eles nos dão as boas-vindas e, depois de subir alguns metros, paramos em umas cabanas para colocar o arnês e o capacete. Começa a aventura!

Caminhada pela morrena da geleira
Começamos a subir pela encosta da montanha e, uma hora depois, chegamos à primeira parada: um painel informativo onde nosso guia Nicolás nos indica a rota que faremos na geleira. Seguimos paralelos, sem parar de subir, por uma trilha íngreme, com degraus, areia e bom desnível. A dificuldade é média-alta. Tivemos uma baixa no grupo, pois não é para todos, e essa colega não se sentia capaz (ofereceram a ela trocar a atividade pelo minitrekking, que é bem menos exigente).
Você precisa estar em boa forma física, não basta apenas “estar saudável”. O calçado é outro fator importante; não servem tênis básicos de esporte, eles devem ter boa aderência.
Após 30 minutos de subida contínua, há um mirante para recuperar o fôlego, onde podemos ver as pessoas fazendo o minitrekking, que parecem minúsculas.

Continuamos subindo em bom ritmo até chegar a uma área onde precisamos nos prender com o arnês e os mosquetões, como em uma via ferrata. Não é perigoso, é apenas uma medida extra de segurança.

Alguns minutos depois chegamos a um segundo domo: é hora de experimentar os crampons e colocá-los na mochila. Após um trecho de caminhada, já se percebe que o caminho fica plano. Fomos avisados da forte descida que vem pela frente. Chega o momento mais esperado: calçar os crampons.

Aprendendo a caminhar no gelo com crampons
A primeira pisada no gelo foi às 12h30. Com os crampons calçados, começamos a andar como patos. No começo, os passos são meio desajeitados, até que você normaliza a pisada e a força dos passos fica mais controlada.
Adentramos na geleira e vemos as primeiras fendas azuladas. Diferentes tipos de gelo que, com o passar dos minutos, vamos entendendo graças às explicações do Nicolás e da Fernanda. Sumidouros profundos nos quais nos inclinamos com os cuidados que os profissionais tomam, riachos que se formam como serpentinas… Uma beleza de brancos e azuis, que lembram a bandeira deles. Mandaram bem!
Hora do almoço no Perito Moreno
Procuramos uma área protegida entre as fendas do Perito porque o tempo está instável, e o vento é incansável. Hora de comer; cada um se ajeita como pode. A mesa e as cadeiras são o próprio gelo, então vale tudo para sentar — calça, jaqueta, capa da mochila… mas que seja impermeável. Que restaurante com vista, meu Estrela Michelin para esse lugar.
O tempo de comer acaba. Não podemos ficar parados porque o corpo precisa se mexer para esquentar novamente.
Big Ice Perito Moreno, a caminhada sobre o gelo
Tanto a Fernanda quanto o Nicolás se afastam em trechos para verificar o caminho e decidir qual seguir para o restante do grupo. Durante os dias em que eles estiveram ausentes, novas formações foram surgindo. A geleira está em constante movimento, mudando dia a dia. Por isso não existe um caminho marcado e cada saída é uma nova aventura.

Por volta das 15h, depois de explorarmos a área plana e nos aventurarmos um pouco na parte mais selvagem, estamos de volta à beira do gelo. Ao chegar à montanha, é hora de tirar os crampons e refazer o caminho com sua inclinação.
Uma hora e meia de descida para o último presente do dia: uma caverna de gelo! Brancos, verdes e azuis; um jogo de cores translúcidas. Quantas maravilhas da natureza!
O último trecho antes de embarcar novamente é uma passarela de madeira que nos leva a um refúgio a cerca de 15 minutos, onde há banheiros, café/chá quente grátis e vistas espetaculares da face sul da geleira. Descemos até o embarcadouro e aproveitamos que, por sorte, nestas semanas se formou uma caverna de gelo — um fenômeno que só acontece às vezes e que, infelizmente, durará poucas semanas mais. A geleira encontrou uma rocha e avançou por cima dela. Lembra que uma geleira é como um rio, mas de gelo!

Retorno de barco e fim do passeio
A surpresa que nos espera no barco é uma taça de whisky com gelo da geleira (sim, sim, do próprio Perito Moreno) e alguns bombons de chocolate (esses eu gostei mais, embora menos do que o biscoito gigante que nos deram no começo do passeio). Nos despedimos dos companheiros que têm seus carros estacionados nesse estacionamento.
Subimos no ônibus e voltamos para El Calafate com a mochila, sempre mais pesada do que na ida, porque agora o que pesa são as experiências vividas. Além disso, preciso confessar que cochilei alguns minutos no caminho de volta — foi um dia bem intenso 😅
Essa foi nossa aventura pelo Big Ice Perito Moreno. Como você viu, foi intensa e curtimos muito; a review é totalmente positiva. Uma lembrança que levaremos para sempre. Você se atreveria a viver isso?
